quinta-feira, 7 de junho de 2012

Trailer: Django Unchained

Primeiro Trailer do novo filme do diretor Quentin Tarantino.

Django Unchained
Faroeste | Drama
Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Samuel L. Jackson
Estreia Prevista: 18/01/2013
Sinopse:
Com a ajuda de seu mentor, o ex-escravo Django vai resgatar sua esposa das mãos de um fazendeiro do Mississipi.



Crítica: Prometheus


"Novo Alien de Ridley Scott é cancelado e se transforma em outro filme".

Era janeiro de 2011 quando li essa matéria. Depois de quase 30 anos, ver Ridley Scott envolvido num projeto de Ficção Científica tinha deixado de ser uma grande expectativa para se tornar um grande ponto de interrogação. Cancelar um projeto em andamento normalmente é resultado de desentendimento entre executivos e criativos ou revela que a ideia de voltar a uma franquia tão importante havia sido um erro. Em ambos os casos, o início da produção de Prometheus não parecia muito animador.

Muito tempo se passou até que as campanhas virais começaram a criar um clima de grandiosidade para o filme. Foi possível ver que, apesar da troca do nome, Prometheus ainda era o preludio de Alien e ficou claro que a Fox tinha 3 objetivos: (1) Produzir o preludio de Alien; (2) criar uma nova franquia baseada num universo de sucesso e (3) conquistar um novo público, que não conhece o clássico criado em 1979.

Eu tive a oportunidade de assistir o filme em 3D e, para minha surpresa, Ridley Scott usou a tecnologia para criar um clima de imersão e profundidade e não para jogar coisas na nossa cara. E ele prova isso logo nas primeiras cenas. O visual do filme é lindo, chega a impressionar. Talvez seja o melhor 3D em termos de nitidez e qualidade de imagem, desde de Avatar.

Na história, a arqueóloga Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e seu colega-namorado Charlie Holloway (Logan Marshall-Green) descobrem semelhanças entre representações artísticas de civilizações extintas diferentes e que nunca tiveram contato entre elas. Os signos representam um conjunto de planetas que teria condições de ter abrigado vida. Com esse "convite", a tripulação de Prometheus, liderados por uma fria Charlize Theron, parte em busca da grande resposta da humanidade: "De onde viemos?"

Ao chegar ao seu destino, os tripulantes encontram provas de que a vida na terra pode mesmo ter sido criada por alguma raça alienígena que viveu neste local. Eles encontram corpos de uma raça humanoide em meio à uma espécie de templo. Mas, a partir daí, o filme ganha um ritmo frenético e a busca pela origem se transforma em luta pela sobrevivência.

Prometheus segue uma estrutura muito parecida com o original de Scott, no entanto peca pela falta de suspense. Não há tempo para ficar apreensivo, tudo é mostrado sem cerimonia. Mesmo as cenas mais assustadoras ou agoniantes são rápidas e resolvidas de maneira quase instantânea, sem chance para os personagens serem influenciados pelos acontecimentos.

Assim como Alien, Prometheus tem personagens femininas como protagonistas. No entanto, a atuação do inspiradíssimo Michael Fassbender rouba a atenção. Michael interpreta o androide David, robô responsável pela vida dos tripulante durante os quase dois anos de sono induzido, necessários para suportar uma viagem tão longa e responsável por estudos linguísticos para tentar se comunicar com os criadores. A relação criador e criatura que vemos entre David e os tripulantes é uma espécie de contraponto entre a busca do homem pelos seus criadores.

As duas horas do filme passam muito rápido, mas infelizmente, a busca pela criação de uma nova franquia faz com que o final deixe o caminho pronto para uma continuação de forma tão grosseira que só faltou aparecer um "to be continued..." na tela. 

Prometheus é sim um preludio de Alien e mais que isso, uma homenagem. Se você gosta de Ficção Científica, vai adorar Prometheus. Se é fã de Alien, vá preparado para uma homenagem e aberto a novas verdades. Agora, se você não gosta de nada disso, prepare seu estômago e depois me diga o que achou.




segunda-feira, 4 de junho de 2012

Poster: Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge





Critica: Xingu


Em 2011, o Parque do Xingu, a primeira terra indígena homologada pelo governo brasileiro, completou 50 anos. Meio século passou e o País do Futuro ainda continua lidando com grileiros, desmatamento e a paralisia da velha discussão: preservar a floresta ou abrir espaço para o crescimento econômico?

Fica a impressão de que não avançamos muito, no entendimento da questão amazônica, nesses anos que separam Transamazônica e Belo Monte. Nesse ponto, embora seja um filme didático e básico em sua defesa da cultura indígena, Xingu não deixa de ser atual.

O filme dirigido por Cao Hamburger (O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias) conta, com algumas licenças, a história da expedição pelo Rio Xingu dos irmãos Villas-Bôas, os mais importantes indigenistas do país, responsáveis pela criação do Parque. No filme, os três são dispostos como uma gradação: numa ponta, o mais velho, Orlando (Felipe Camargo), faz o papel político pragmático; na outra, o caçula Leonardo (Caio Blat) representa a entrega emocional, a evidência de que é impossível se aproximar dos índios sem transformá-los (e transformar-se).


Não por acaso, o protagonista do filme é o irmão do meio, Cláudio (João Miguel), o desbravador. É ele quem mais sente o peso das duas responsabilidades, a pública (a promessa de uma terra demarcada para os índios) e a privada (o esforço utópico de impedir a aculturação, de não se envolver). João Miguel reage bem ao peso do papel, e a sua interpretação é o forte de Xingu, um filme cuja plasticidade tenderia a esvaziar a figura dos atores.


Ao mesmo tempo, é difícil esquecer que obras recentes como Serras da Desordem, de Andrea Tonacci, e Habitante Irreal, de Paulo Scott, por exemplo, tratam de forma muito mais complexa essas questões de trocas de identidade entre o branco e o índio. Xingu só as toca transversalmente. É uma biografia meio chapa-branca que flerta com essa complexidade (nos dilemas de Cláudio), mas que termina simplificando coadjuvantes (o fazendeiro mau, o político negociador) e resgatando a velha ideia do Bom Selvagem, como se Hamburger atendesse a uma urgência de reorganizá-los do zero, como se o hoje histórico pedisse uma reintrodução à nossa história.

Mas será que pede mesmo? Ou a discussão já deveria estar em outro degrau?


Critica: Vingadores


Em contraste com o cinema focado em um ou dois personagens, o filme-coral dá a vários protagonistas aproximadamente o mesmo tempo de tela e importância dramática. Esse formato é mais comum na televisão, já que garante aos roteiristas tempo para trabalhar isoladamente cada personagem, por episódio.

Ainda que tenha pouquíssima experiência no cinema como diretor, Joss Whedon conhece muito bem como trabalhar múltiplos protagonistas nas telinhas. Em séries criadas por ele, como Buffy - A Caça-Vampiros, Angel e Firefly, Whedon explorou universos fantásticos sob o ponto-de-vista de distintos guias, mas sempre mantendo o foco em uma linha narrativa principal. Sua escolha para a primeira grande fusão de séries nos cinemas em Os Vingadores - The Avengers (2012), portanto, não poderia ter sido mais inspirada.

Com a experiência da TV, ainda que sob o tempo exíguo das produções comerciais de Hollywood, o diretor - que também trabalhou o roteiro do filme - soube como manejar as participações de cada um de seus superprotagonistas, dando a eles funções específicas dentro da trama de Os Vingadores. Junta-se a essa habilidade o fato de que Whedon é um tremendo nerd: conhece cada um dos seus jogadores e trafega com desenvoltura pelo universo dos super-heróis. São dele, por exemplo, os primeiros arcos de uma das mais empolgantes séries em quadrinhos dos mutantes da Marvel, Os Surpreendentes X-Men.

Lendo a HQ, fica fácil entender como ele conseguiu o emprego na cobiçada superprodução do Marvel Studios. Já estava tudo lá: o equilíbrio entre o tempo de cada herói, a ação desenfreada e imaginativa, a história central que mistura relações humanas e um desafio mortal, e os momentos de pura paixão nerd. Obviamente, havia a dúvida se Whedon conseguiria levar sua experiência na TV e HQs para o cinema, já que o único filme que havia dirigido até então era Serenity (2005), uma adaptação para a tela grande da série Firefly.

Felizmente, o roteirista experimentado provou-se à altura do desafio. Ainda que seja um tanto pasteurizado em termos estéticos (não diferindo de qualquer outro blockbuster de grande orçamento da última década), Os Vingadores é perfeitinho dentro de suas pretensões. É, afinal, um filmão da Marvel - e como tal, obedece a cinco décadas (!) de tradição da chamada "Casa das Ideias". Não deixa de ser, assim, uma versão modernizada da primeira aventura dos Vingadores, de 1963: nela, heróis solitários se reúnem - depois de algum desentendimento gerado pelo inevitável conflito de egos que acompanha grandes seres - para enfrentar uma ameaça comum, engendrada pelo manipulador, ganancioso e inescrupuloso vilão Loki.

Em espírito, o filme é idêntico à HQ criada por Jack Kirby e Stan Lee. Com fãs apaixonados como Whedon e o presidente da Marvel, Kevin Feige, no comando, não poderia mesmo ser diferente. É curioso notar como o Agente Coulson - personagem criado especificamente para o cinema, interpretado por Clark Gregg -, é uma maneira desses executivos/realizadores/fãs se colocarem ali, no meio da ação. Coulson, que se revela nerd, é fundamental na união dos Vingadores, assim como o foram Whedon e Feige.

Para quem, como eu, cresceu lendo essas histórias e acompanha o Universo Marvel como um casamento de décadas (nos bons, maus e péssimos momentos), portanto, ver a reunião das franquias Homem de Ferro, Thor, Capitão América e Hulk é uma vontade realizada. E vê-la BEM realizada, um deleite. Cenas específicas apelam à memória emotiva e ajudam a relevar, sem qualquer esforço, pequenos problemas, como o primeiro ato, que é bastante arrastado em comparação ao explosivo e superelaborado clímax (Michael Bay poderia aprender aqui uma lição de como concatenar personagens e focos de ação distintos em um todo coeso).

Mas mesmo nas longas sequências em que pouco acontece e a trama embola um pouco (também um tradição de Stan Lee, o mais verborrágico de todos os quadrinistas), há o que se desfrutar, como Robert Downey Jr., a cola que une o grupo, em cena nas melhores interações com o elenco, em especial o novato na série Mark Ruffalo. Os debates entre os dois cientistas (Tony Stark e Bruce Banner) e entre ele e Tom Hiddleston (fantástico como o Loki e muito mais à vontade que em Thor) são tão divertidos quanto a invasão da armada alienígena que aflige Nova York ao final.

Um filme de ação bem estruturado, que explora os pontos fortes de todo seu elenco e dá ao fã - leitor ou novato, que conheceu esse universo no cinema - exatamente o esperado, Os Vingadores - The Avengers entra desde já como mais um marco na celebrada história da Marvel. Só nos resta torcer para que demorem algumas décadas para que as famosas burradas editoriais da empresa cheguem às telas. Por enquanto, os Agentes Coulson por aí agradecem!


Critica: Sete Dias com Marilyn


Em uma das sequências de Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn, 2011), Michelle Williams aparece andando pelo castelo de Windsor, na Inglaterra. No fim de sua visita ao local, ela e seu acompanhante, Colin (Eddie Redmayne), são recebidos com aplausos pelos funcionários do local. Ao perceber a comoção, ela se vira para ele e pergunta: "Devo ser ela?", para logo em seguida começar a fazer poses, dar tchauzinhos e jogar beijos. A cena é apenas um dos inúmeros exemplos que mostram bem a separação que Norma Jean fazia de sua personagem mais famosa: Marilyn Monroe. 

A protagonista que vemos no filme é tão linda e sensual, quanto insegura e volátil. E todas essas sensações, mesmo as que se referem aos atributos físicos de Marilyn só conseguem ser sentidos porque Michelle Willams está perfeita como a curvilínea atriz, que aos 30 anos estava no ápice de sua carreira e foi convidada para ir a Londres estrelar um filme dirigido e coprotagonizado com Sir Laurence Olivier (Kenneth Branagh), tão apaixonado por ela quanto qualquer outro homem que viveu nos anos 1950, para o desespero de sua esposa, Vivien Leigh (Julia Ormond). 

Esta tensão sexual causada por onde a loira californiana passava é outro ponto bastante destacado no longa. Apesar de chegar à Inglaterra ao lado de seu terceiro marido, o escritor Arthur Miller (Dougray Scott), ela seduz com extrema facilidade os homens ao seu redor. Seu sócio na Marilyn Monroe Productions, Milton Greene (Dominic Cooper), já havia passado por isso e saído com o coração despedaçado, cenário do qual ele tenta afastar o jovem Colin. Sem sucesso. Mesmo apaixonado pela jovem Lucy (Emma Watson), que trabalhava no figurino do estúdio Pinewood, Colin acaba se deixando enfeitiçar pelo enigma que era aquela mulher.

O diretor Simon Curtis e o roteirista Adrian Hodges erram ao repetir tão exaustivamente os dilemas internos enfrentados por Marilyn sem se aprofundar de verdade. Eles a mostram inúmeras vezes perdida no set de filmagem com o sistema Stanislavski de atuação - aquele que prega viver o personagem para entender seus sentimentos e assim agir como ele, em vez de apenas "fingir". Os dois não se cansam também de apontar as incontáveis horas que ela deixou seus colegas atores e a equipe técnica esperando "achar a personagem" ou em uma de suas crises de insegurança. Deixam mais do que claro também o problema com as pílulas que - na versão oficial - acabaram vitimando-a em 5 de agosto de 1962.

Mas a repetição que pega mal para os cineastas vira elogio para Michelle Williams, que em todas as cenas consegue mimetizar impecavelmente trejeitos, timbre de voz e poses de Marilyn. Ela consegue passar também o tanto que a atriz sofria com o excesso de atenção, dando a entender que ela sofria com algum distúrbio psiquiátrico como uma síndrome do pânico ou algo do tipo e tinha problemas mal resolvidos com os pais ausentes.

O filme é baseado nos livros The Prince, The Showgirl and Me e My Week with Marilyn, que relatam as memórias de Colin daqueles dias em que participou das filmagens de O Príncipe Encantado (The Prince and the Showgirl, 1957) ao lado da loira. Sete Dias com Marilyn acaba se tornando uma declaração de amor a uma mulher que era perfeita até nas suas imperfeições e continua imaculada em suas mentes mesmo depois de destroçar seus corações. Se já é assim na interpretação, imagine o estrago que a original não fazia.

Voltando ao castelo, em uma outra passagem, Marilyn e Colin passeiam pela biblioteca do local e veem um desenho de Holbein, que chama a atenção da moça pela sua beleza. Ao saber que a obra de arte já tinha 400 anos, ela diz "Espero estar bonita assim quando tiver 400 anos". Ao morrer jovem e ainda sedutora, ela chegará com facilidade aos 4 séculos ainda linda, sensual e enigmática.


Critica: Homens de Preto 3


Basta fechar os olhos para me lembrar de cenas de Homens de Preto (Men in Black, 1997), mas mesmo tendo visto Homens de Preto 2 (Men in Black 2, 2002) cinco anos depois, o filme é um grande branco em minha memória. Parece até que fui vítima do neurolizador e todas as lembranças que eu poderia ter do segundo filme foram apagadas. Mas na verdade, eu sei bem o motivo. Enquanto o original, adaptado da HQ criada por Lowell Cunningham e publicada pela Aircel Comics (que depois virou Malibu Comics e recentemente foi comprada pela Marvel), misturava com muito esmero ação, ficção científica e humor, a sequência deixou o roteiro de lado e se focou apenas nos efeitos especiais, limitando-se a reciclar piadas e situações já vistas no filme anterior. 

Passados dez anos, a pergunta é: precisávamos de um terceiro filme? A minha resposta é afirmativa. Principalmente para ficarmos com algo bom na lembrança, assim como Shrek 4 veio só para apagar da memória a terceiro animação do ogro da DreamWorks. Mas o caminho da ideia à finalização não foi tão simples. Dizem por aí que o roteiro foi escrito enquanto as filmagens iam acontecendo e que toda a sequência ambientada no passado estava "em branco" e só foi entregue depois de uma pausa na produção. 

Isso explicaria e muito a existência de Griffin (Michael Stuhlbarg), o carismático alienígena que está ali para guiar os protagonistas (e principalmente ao público) na trama, ensinando o básico sobre as viagens no tempo, o que acontece ao se mexer no passado e os presentes alternativos que podem coexistir. 

Tudo começa quando Boris, o Animal (Jemaine Clement) consegue escapar da prisão e sai atrás daquele que o prendeu, K (Tommy Lee Jones). Mas o seu plano não se restringe apenas a vingar os últimos 40 anos e tantos anos em que passou na prisão. Ele decide voltar no tempo para matar o seu captor e ainda impedir que toda a sua raça seja extinta. Ao obter êxito na sua missão, vemos uma realidade que não se lembra mais da existência do agente K e sofre uma invasão alienígena. Cabe então a J (Will Smith) voltar também no tempo e impedir que tudo isso aconteça.

Não há grandes novidades, nem conceitos inéditos de viagem no tempo e, como já foi dito, temos o Griffin para esclarecer qualquer outra dúvida que surgir pelo caminho. Entra, então, a grande genialidade do filme: o trabalho do Sr. Rick Baker, que faz aqui um de seus melhores trabalhos até agora. Os monstros estão criativos e perfeitos da concepção à execução. Demorei quase o filme inteiro até lembrar que Boris era o ator de Flight of the Conchords (que disfarça o seu sotaque neozelandês e chega a ser bastante amedrontador). E temos ainda todas as criaturas dos anos 1960, que foram criadas à imagem que se tinha dos aliens daquela época, com aquário na cabeça, cara de peixe, etc.

Aliás, toda a ambientação no passado é impecável, principalmente o K jovem interpretado por Josh Brolin. É impressionante como ele conseguiu pegar a entonação e os trejeitos do velho Tommy Lee Jones e recriá-las à perfeição, tal qual já havia feito com George W. Bush em W. (2008) e ainda dar um ar bondiano ao personagem. É esta viagem no tempo que traz ao filme um frescor que faltou ao segundo filme. As piadas aqui fluem bem melhor - exceção à do primeiro neurolizador, que depois aprendemos ser desnecessário - e criam situações que fazem a trama andar para frente. E para quem gosta da brincadeira de ficar adivinhando quem é humano e quem é ET, o fim da década de 1960, com os hippies e tudo mais é um prato cheio! E ainda temos Andy Warhol (Bill Hader) e sua Factory fazendo participação especialíssima.

Mas daí chega a hora do desfecho. E aqui algumas pessoas podem torcer o nariz para o sentimentalismo que eles tentaram dar ao filme, mas a verdade é que é uma saída que faz sentido e ainda homenageia o que foi feito antes. E para quem não gostar, tem sempre o neurolizador.


Critica: Branca de Neve e o Caçador



No conto dos Irmãos Grimm, registrado da tradição oral europeia no século 19, a história da Branca de Neve não tem nada da doçura que Walt Disney consagrou na primeira animação longa-metragem da história. Mas na cultura pop, com raras exceções, a história seguiu o tom estabelecido pelo estúdio. Em Branca de Neve e o Caçador (Snow White and the Hunstman, 2012), porém, resgata-se a violência psicológica do original, ao mesmo tempo dando à história novas reviravoltas e qualidades, tornando-a mais uma vez relevante em tempos em que o desejo de ser princesa evanesce cada vez mais cedo. 

Projeto do diretor de cinema de primeira viagem Rupert Sanders, egresso do mercado publicitário, o filme foi vendido em Hollywood como um épico com qualidades - na medida do possível - realistas. Para convencer a indústria, em que circulavam outros vários projetos baseados no conto, de que sua história tinha algo diferente, Sanders criou cenas inteiras do filme com o auxílio de casas de finalização. O resultado impressionou - e quem viu, diz que esse "rascunho" difere do original apenas nos rostos, já que foi filmado com desconhecidos - e o projeto foi realizado com qualidades de épico que lembram mais O Senhor dos Anéis do que o que se espera de uma Branca de Neve, em especial no belo registro fotográfico.

Ainda que não seja efetivamente gráfico em sua violência, Branca de Neve e o Caçador tem algumas imagens de impacto, potencializadas pela interpretação de seu elenco. Charlize Theron, a Rainha Ravenna, entrega-se com intensidade ao papel, elevando a aura de malignidade da personagem, que também ganha aqui um passado bem desenvolvido. As motivações da protagonista, graças ao roteiro e aos esforços da atriz, pode até de certa forma ser compreendida, ainda que suas atitudes continuem questionáveis. Do outro lado, Kristen Stewart, a Branca de Neve, garante à princesa uma força inexistente em qualquer outro filme baseado na história, uma qualidade de liderança, de força, mas sem perder a feminilidade ou tornar-se uma super-heroína. Essas qualidades são exploradas também em uma tribo de mulheres, cujas faces são marcadas para torná-las estéticamente feias, permitindo que elas possam escapar do jugo conhecido do espelho da Rainha e sua busca contínua pela "mulher mais bela" do reino.

Menos interessantes são os papeis masculinos, que são um tanto alegóricos. Com a intenção de relacionar este filme com a Saga Crepúsculo, de olho em uma base de fãs já estabelecida, o marketing faz parecer que a Branca de Neve está de certa maneira dividida entre o Caçador (Chris Hemsworth) e o Príncipe (Sam Claflin). Mas a verdade é que há pouquíssimo espaço para romance ou cortejo na trama, enquanto uma força maligna sobrenatural assola o reino, consumindo-o como uma praga. Mesmo assim, sem o lado romântico que seria previsível, tais papeis trazem muito pouco de novo em termos de heróis de épicos fantásticos. Bem mais interessantes são os oito anões, vividos por excelentes atores britânicos (Ian McShane, Eddie Izzard, Bob Hoskins, Toby Jones, Ray Winstone, Eddie Marsan, Steve Graham e Nick Frost), que os interpretam como integrantes de uma gangue barra-pesada londrina.

Entre os momentos menos inspirados do filme estão uma sequência de ação gratuita contra um troll, que muito pouco agrega à trama (mas é visualmente bacana), e elementos fantásticos "do bem" (o bosque encantado é superbrega) que não são tão interessantes quanto todo o resto (em especial a Rainha e seus malefícios). De qualquer maneira, o filme consegue usar satisfatoriamente ícones conhecidos da história de maneiras novas, como mecanismos inteligentes que funcionam a serviço da narrativa. Ao final, há muito o que apreciar nesta nova versão de Branca de Neve, mas o suficiente para ignorar também.