quinta-feira, 7 de junho de 2012

Crítica: Prometheus


"Novo Alien de Ridley Scott é cancelado e se transforma em outro filme".

Era janeiro de 2011 quando li essa matéria. Depois de quase 30 anos, ver Ridley Scott envolvido num projeto de Ficção Científica tinha deixado de ser uma grande expectativa para se tornar um grande ponto de interrogação. Cancelar um projeto em andamento normalmente é resultado de desentendimento entre executivos e criativos ou revela que a ideia de voltar a uma franquia tão importante havia sido um erro. Em ambos os casos, o início da produção de Prometheus não parecia muito animador.

Muito tempo se passou até que as campanhas virais começaram a criar um clima de grandiosidade para o filme. Foi possível ver que, apesar da troca do nome, Prometheus ainda era o preludio de Alien e ficou claro que a Fox tinha 3 objetivos: (1) Produzir o preludio de Alien; (2) criar uma nova franquia baseada num universo de sucesso e (3) conquistar um novo público, que não conhece o clássico criado em 1979.

Eu tive a oportunidade de assistir o filme em 3D e, para minha surpresa, Ridley Scott usou a tecnologia para criar um clima de imersão e profundidade e não para jogar coisas na nossa cara. E ele prova isso logo nas primeiras cenas. O visual do filme é lindo, chega a impressionar. Talvez seja o melhor 3D em termos de nitidez e qualidade de imagem, desde de Avatar.

Na história, a arqueóloga Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e seu colega-namorado Charlie Holloway (Logan Marshall-Green) descobrem semelhanças entre representações artísticas de civilizações extintas diferentes e que nunca tiveram contato entre elas. Os signos representam um conjunto de planetas que teria condições de ter abrigado vida. Com esse "convite", a tripulação de Prometheus, liderados por uma fria Charlize Theron, parte em busca da grande resposta da humanidade: "De onde viemos?"

Ao chegar ao seu destino, os tripulantes encontram provas de que a vida na terra pode mesmo ter sido criada por alguma raça alienígena que viveu neste local. Eles encontram corpos de uma raça humanoide em meio à uma espécie de templo. Mas, a partir daí, o filme ganha um ritmo frenético e a busca pela origem se transforma em luta pela sobrevivência.

Prometheus segue uma estrutura muito parecida com o original de Scott, no entanto peca pela falta de suspense. Não há tempo para ficar apreensivo, tudo é mostrado sem cerimonia. Mesmo as cenas mais assustadoras ou agoniantes são rápidas e resolvidas de maneira quase instantânea, sem chance para os personagens serem influenciados pelos acontecimentos.

Assim como Alien, Prometheus tem personagens femininas como protagonistas. No entanto, a atuação do inspiradíssimo Michael Fassbender rouba a atenção. Michael interpreta o androide David, robô responsável pela vida dos tripulante durante os quase dois anos de sono induzido, necessários para suportar uma viagem tão longa e responsável por estudos linguísticos para tentar se comunicar com os criadores. A relação criador e criatura que vemos entre David e os tripulantes é uma espécie de contraponto entre a busca do homem pelos seus criadores.

As duas horas do filme passam muito rápido, mas infelizmente, a busca pela criação de uma nova franquia faz com que o final deixe o caminho pronto para uma continuação de forma tão grosseira que só faltou aparecer um "to be continued..." na tela. 

Prometheus é sim um preludio de Alien e mais que isso, uma homenagem. Se você gosta de Ficção Científica, vai adorar Prometheus. Se é fã de Alien, vá preparado para uma homenagem e aberto a novas verdades. Agora, se você não gosta de nada disso, prepare seu estômago e depois me diga o que achou.